O chaveamento feminino de Wimbledon em 2025 entrou para a história antes mesmo de a semana final começar. Serena Williams caiu em sua primeira partida de Grand Slam desde 2022 e anunciou sua retirada do torneio em seguida. Depois, a atual campeã Iga Świątek, a finalista do ano passado Amanda Anisimova e a detentora do título do Aberto da Austrália Elena Rybakina foram todas eliminadas na terceira rodada. A francesa Mirra Andreeva, atual campeã de Roland Garros, nem chegou tão longe. E Aryna Sabalenka, a número 1 do mundo, foi surpreendida por Naomi Osaka nas oitavas de final. O resultado é inédito: nenhuma das quatro semifinalistas jamais conquistou um título de Grand Slam no piso de grama de Church Road.
O tênis feminino vive um momento de renovação geracional que vai muito além de Wimbledon. Jovens talentos surgem em diferentes modalidades e mercados - assim como acontece no futebol, onde nomes como Lisa Baum, 19 anos e 30 gols, já movimentam o mercado de transferências europeu. Em Wimbledon, essa virada de página se traduz em quatro tenistas disputando o maior título de suas carreiras, com histórias distintas e estilos de jogo que prometem confrontos de alto nível nas semifinais desta quinta-feira.
Gauff busca fazer história americana nas semifinais
Na primeira semifinal, a americana Coco Gauff enfrenta a tcheca Karolína Muchová. Para Gauff, é a melhor campanha de sua carreira no All England Club - ela chegou à semifinal após salvar um match point nos limites do toque de recolher em sua vitória sobre Belinda Bencic e depois superar a quarta cabeça de chave Jessica Pegula nas quartas de final. Gauff busca se tornar a primeira americana a conquistar o título de Wimbledon desde que Serena Williams o ergueu em 2016, uma lacuna de quase uma década que pesa sobre a memória do tênis dos Estados Unidos.
Do outro lado da rede, Muchová chega embalada. A tcheca de 29 anos eliminou a compatriota e última ex-campeã restante no chaveamento, Barbora Krejčíková, e depois atropelou Naomi Osaka em sets diretos por 7-6(4) e 6-4 nas quartas. Seu jogo equilibra sensibilidade na rede com solidez de fundo de quadra, uma combinação que funciona bem na grama. No histórico geral dos confrontos diretos, Gauff leva ampla vantagem - seis vitórias nas últimas sete partidas -, mas Muchová venceu o duelo mais recente, em saibro, em Stuttgart. A forma tcheca está em alta.
Nosková e Kostyuk disputam vaga inédita em final de Grand Slam
A segunda semifinal reúne outras duas histórias improváveis. A tcheca Linda Nosková, de 21 anos, chegou a Wimbledon após eliminações precoces em Roland Garros e no torneio preparatório que disputou antes do Grand Slam inglês. No entanto, reencontrou seu tênis na grama: derrubou a campeã de Grand Slam Madison Keys, a 17ª cabeça de chave Sorana Cîrstea e, nas quartas, dominou a belga Elise Mertens com um convincente 6-3 e 7-5. Seu estilo agressivo e combativo se adaptou bem às condições do All England Club.
Esperando por ela está a ucraniana Marta Kostyuk, nona cabeça de chave e uma das jogadoras mais em forma do circuito no período recente. Kostyuk chegou às semifinais após uma vitória categórica de 6-3 e 6-2 sobre Jasmine Paolini, finalista em Wimbledon no ano passado. Esse resultado foi sua 21ª vitória nas últimas 22 partidas disputadas - uma sequência que impressiona pela regularidade. Natural de Kyiv, Kostyuk tem a chance de se tornar a primeira mulher ucraniana a alcançar uma final de Wimbledon, um feito que carregaria significado esportivo e simbólico em igual medida.
Final marcada para sábado, com título inédito garantido
As duas partidas desta quinta-feira definirão a finalista de sábado. Seja qual for o resultado, o troféu Venus Rosewater Dish chegará às mãos de uma nova campeã - alguém que nunca antes ergueu esse título. Para o tênis feminino, é o tipo de abertura que cria novas narrativas e novos ídolos. Para as quatro semifinalistas, é a oportunidade que define carreiras.