Novak Djokovic deixou Wimbledon derrotado, mas de cabeça erguida. O italiano Jannik Sinner, número um do mundo, encerrou a campanha do sérvio nas semifinais com uma vitória categórica por 6-4, 6-4 e 6-4, na última sexta-feira, no Centre Court. Aos 38 anos - completando 39 em maio -, Djokovic viu escapar mais uma chance de alcançar o inédito 25º título de Grand Slam, recorde que seguiria sendo seu com exclusividade.
A derrota foi expressiva no placar, mas o clima ao redor da quadra central de Londres contou uma história mais complexa. A torcida recebeu Djokovic com uma ovação prolongada ao final da partida, num reconhecimento que raramente se vê para um tenista saindo de uma eliminação. Num momento em que o esporte global vive um ciclo de renovação de gerações - assim como Copa do Mundo 2026 arranca com 48 seleções e inaugura uma nova era no futebol mundial -, o tênis também assiste à transição de poder entre Djokovic e uma geração liderada por Sinner e Carlos Alcaraz. A resposta do público em Wimbledon foi, em si mesma, um capítulo à parte.
Djokovic não fecha a porta para o futuro
Questionado sobre se voltaria a Wimbledon no próximo ano, quando o torneio completará 150 edições, Djokovic foi direto: "Gostaria, pelo menos mais uma vez. Vamos ver." A declaração, breve e ponderada, resume bem o momento de um atleta que recusa encerrar o ciclo por decreto, mas também não faz promessas que o calendário e o corpo podem não honrar. Aos 39 anos que terá em 2026, a presença no torneio inglês dependeria de saúde, motivação e nível competitivo - três variáveis que ele, por ora, considera abertas.
O sérvio também foi claro sobre o que o mantém em quadra: não é obrigação nem pressão externa. "Não tenho nenhuma pressão, ninguém está me forçando a jogar", afirmou. "Faço isso porque realmente quero e porque ainda consigo. Ainda consigo jogar como top 10, top 5." É uma distinção relevante para alguém que, em qualquer outra carreira, já teria encerrado o ciclo com honras máximas.
Um torneio que revelou mais do que o placar
Djokovic admitiu a decepção com o resultado - "Queria vencer Wimbledon. É por isso que ainda me cobro tanto" -, mas avaliou a campanha como positiva em aspectos que vão além do marcador. Atitude em quadra, espírito combativo e dedicação foram os pontos que destacou. Chegar às semifinais de Wimbledon, eliminando adversários de alta qualidade ao longo do torneio, reforça o argumento de que o sérvio ainda pertence ao mais alto nível, mesmo que a regularidade de antes não seja mais garantida a cada quinzena.
Sinner, por sua vez, confirmou o favoritismo com uma exibição controlada e eficiente. O italiano não precisou de grandes arrancadas emocionais: dominou o ritmo, explorou os limites físicos do adversário e fechou cada set com a mesma margem de dois games. É o tipo de performance que distingue o número um do mundo dos demais - não a genialidade ocasional, mas a consistência implacável.
US Open no horizonte e o legado em aberto
Com Wimbledon encerrado, Djokovic já projeta o US Open, em Nova York, onde conquistou o mais recente de seus 24 títulos de Grand Slam, em 2023. O torneio americano tem sido palco de alguns de seus momentos mais marcantes e, no piso duro, o sérvio ainda demonstra capacidade de competir em alto nível. "Vamos ver o que o futuro traz", disse, sem prometer nem descartar nada.
A questão que paira sobre o tênis agora é menos sobre o declínio de Djokovic e mais sobre o ritmo de ascensão de Sinner. Com 23 anos e o número um do ranking já consolidado, o italiano reúne as condições para dominar o circuito por uma década. Djokovic, que conhece como ninguém o peso dessa responsabilidade, sabe melhor do que ninguém o que espera o jovem campeão. Por enquanto, contudo, o sérvio não saiu de cena - apenas cedeu o palco por mais um torneio.